Carmen Zaglul – Poesia

Poema musicado por Felipe Pessoa:

Canal do Spotify Carmen Zaglul

Poemas:

DEPOIS

Depois de tanto
Resolvi provar alguns sabores
o sabor aveludado do perdão,
o aberto e ácido sabor do desespero

o sabor inacessível de te ver partir
o sabor frutado da solidão
que traz tua lembrança
e o sabor de queimado da nossa insensatez

o sabor envelhecido e redondo da espera
o sabor carvalho,
onde se guardam tuas carícias
e o lento sabor do oxigênio
que cobre tua ausência

depois de tudo
resolvi guardar na ponta da minha língua
uma gota açucarada
que não me deixe esquecer
que um dia nos tivemos

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ME RENDO

Confesso… Eu me rendo.
Você me faz morrer constantemente
Teus monstros me atacam pelas costas
E pela frente, lambem minhas lágrimas

Me rendo.
Teu amor me deixa oca, quebrada,
Fragmentada,
Duplicada, integrada.
Será que você é uma questão de sobrevivência?

Porque quando te toco
É como se se unissem minhas partes
Quando me vejo nos teus olhos
É como se se unissem todas as minhas partes
Você é as duas polaridades,
Você é a grave gravidade

Eu me rendo.
Comecei a me desfazer de você
E estou procurando as pinças
que consigam tirar da minha pele
Todos os teus pedacinhos

Eu me rendo.
Aprendi a amar até tua loucura
só que já não posso mais voltar
Para onde se entorpece minha solidão

Preciso sobreviver a você

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INTERMITENTE

Parece que você é todas dentro de mim.

Asas que trazem passados,

Vontades, cercadas de lobos ferozes,

Ondas, que me arremessam até voltar a mim.

Você é a primeira, a última,

É todas as que dormem na minha espinha dorsal

É a sede, um exército de gotas de chuva

Que se segura na minha pele


Você é a espera que não chega e quando chega

Navega profundo, negando, beijando, 

Fugindo, chamando.

Você é a que não faz sentido

Mas a sua certeza se enxerga nos meus olhos

E me fala de longe.